Sempre que encerrávamos as reuniões eu ficava para trás. Acho que era a minha dificuldade histórica com a burocracia. Nossa equipe era formada por jovens iniciantes na profissão de propagandista. Representávamos laboratórios nos consultórios médicos e fazíamos reuniões de rotina para apresentação dos relatórios da semana anterior.
Nosso gerente era com um pai para nós. Carinhoso, sabia nos orientar com equilíbrio e fazer as cobranças necessárias, de forma que sabíamos que eram importantes para o nosso melhoramento. Sabíamos que ele era justo consoco. Em nosso ramo era comum as pessoas comentarem sobre a grande admiração que os profissionais tinham por ele. Ter feito parte de sua equipe valorizava nosso passe para procurarmos novas empresas no futuro.
Naquele dia, fiquei para trás (mais uma vez) remexendo em meus papéis tentando finalizar meus relatórios. Ficamos eu e o gerente na sala quando de repente chega um rapaz bem vestido e apessoado que havia marcado entrevista com o nosso gerente. Havia uma vaga para propagandista e ele era um candidato. Fiquei quieto só observando. Achei que a vaga seria preenchida facilmente, pois ele parecia ter o perfil certo para a função.
O gerente, sempre com sorriso no rosto, indagou simpaticamente o candidato:
Ficou evidente que ele iria derrubá-lo. E assim foi. As perguntas seguintes eram tão difíceis quanto a primeira. Nenhuma delas pôde ser respondida, ele fracassou e perdeu a vaga.
- Meu jovem, você não poderá preencher essa vaga. Para isso, é necessário: DEDICAÇÃO, INTERESSE e RESPONSABILIDADE.