Alguns homens ainda tem uma enorme dificuldade de manifestar suas emoções.
Pensando nisso, decidi lembrar-me de como nós homens somos criados e preparados desde a nossa infância. Também, ligeiramente, comparei a forma como a família, os grupos sociais e a sociedade nos trata nesse mesmo período. As frases do tipo: "Homem não chora" "Meu filho é macho" "Isso é coisa de mulher" reproduzem o medo (inclusive das mães) de que o homem possa "se tornar" um homossexual por ter um ou outro sentimento fora dos limites que a sociedade machista "permite".
Quando são crianças, meninos e meninas têm interesses diferentes, até ai acho normal. Mas recebemos estímulos diferentes exatamente para “determinar” que somos diferentes.
Resolvi lembrar dos brinquedos que recebemos na infância. Reparem: meninas brincam com bonecas, casinhas, roupinhas, preparo de comidas e quase tudo que lembra o afeto, o carinho, proteção e relação humana. Nessa prática inconsciente há o exercício claro do contato humano através desses símbolos do cotidiano.
Vejamos os meninos. Recebemos em geral "objetos" que são inanimados, isto é, dependem de ação externa para movimentar-se. Exemplos: bola, carrinhos, bicicletas, armas e bonecos masculinos. Observem que esses objetos, se não forem manipulados, ficarão inertes. Mais do que isso, o menino não exercita uma relação afetiva com os objetos, pois, a maioria deles não simboliza um ser vivo.
Me parece que ai está a "preparação" do homem frio, que irá "comandar" na idade adulta as coisas, objetos, e futuramente, as pessoas. Certa vez aqui em casa, fomof visitados por uma amiga e seus filhos. Ao cumprimenta-los, pedi um beijo para o menino de 7 anos. A resposta que ele me deu: "Eu não sou bicha". Fiquei surpreso com uma atitude tão radical e vinda de uma criança. Certamente ele reproduziu a opinião de algum adulto. Que poderemos esperar desse garoto daqui a alguns anos?
Penso que nós somos vítimas dessa sociedade que não nos ensina nem permite amar, nos coloca limites e vigia nossa expressão. O drama virá no futuro. A nossa enorme dificuldade de compreendermos a mulher e de expressar os nossos verdadeiros sentimentos certamente terá de se confrontar com os "ensinamentos" da infância. Vencer preconceitos é um grande desafio. Chegamos a um ponto em que nós, pobres homens, muitas vezes não conseguimos "declarar" o que sentimos.Não proponho uma solução para o problema, mas sim uma reflexão de todos nós, homens e mulheres, acreditando num mundo mais verdadeiro para todos e a diminuição desse abismo que separa homens de mulheres. Vamos amar mais! Com mais qualidade!