segunda-feira, 31 de março de 2008

No cemitério...





Já faz alguns anos.
Estava em frente à casa de um conhecido quando um amigo “das antigas” apareceu.
Era o “G”, baita amigão.
Perguntei:
- E ai rapaz, que estás fazendo?
- Nada, matando um tempo pra ir na casa da minha tia. É aqui perto.

Estávamos perto de um cemitério. Era logo ali, só subir a rua.

Percebi que também tinha tempo de sobra em minha agenda pessoal e sugeri ao amigo que fôssemos dar uma passada no cemitério para dar uma visita ao túmulo do pai de um grande amigo nosso.

- Beleza. Vamos nessa. Respondeu.
Era um dia da semana e acho que por essa razão o cemitério estava vazio. Devia ser umas 17hs.

Enquanto subíamos as escadas do cemitério, "G", que estava logo atrás, falou:

- Não, muito obrigado!

Não entendi por que ele havia dito aquilo. Em todos os andares que passamos, observei que não havia “uma viva alma”. Medroso que sou, fiz questão de observar isso.

Olhei pra trás, e ele bem sério subindo as escadas. Putz, fiquei com aquele troço na cabeça me incomodando. Fomos até o túmulo, fiz um pensamento em nome da pessoa querida e rapidamente saímos.

Íamos descendo a escadaria, e eu olhava pra todos os lados. Não havia ninguém no cemitério além da gente.

Esperei descermos todos os andares e sairmos do prédio. Daí perguntei:

- Com quem tu falaste na subida? Vi que agradeceste alguém.

Ele diz:

- Para a florista, ora! Não viste que ela nos ofereceu flores?

Eu disse:

- Ah, tá! (como dizendo: claro!)

Fiquei frio, aliás, estava congelado.

De repente ele me diz:

- O Cara, sabe aquele cemitério ali ao lado? (apontando com o dedo). Vamos dar uma ida ali, visitar o túmulo de minha avó?

Respondi imediatamente:

- Amigão, não vai dar...lembrei de um compromisso. Preciso ir, valeu!

Levei uns 3 anos pra comentar com ele sobre o que aconteceu.

Ele apenas disse que não lembra de nada.



domingo, 30 de março de 2008

Cid Moreira - (texto antigo)

Lembram do Cid Moreira?
Mudaram radicalmente o papel do locutor, repararam?

Parece-me que tudo começou quando a Globo trouxe a "grande atração internacional" o mágico dedo-duro Mr.M para o programa dominical fantástico. O locutor apareceu narrando as travessuras do mágico num tom ridiculamente dramático e também muito, muito chato. Naquele momento ficou claro que a postura e a imagem daquele locutor sério e de credibilidade nacional foi pro ralo.

E quando o Cid entrevistou o Mr.M no encerramento da temporada de suas aparições? Foi trágico. No final da entrevista, o locutor pergunta num patético tom de suspense: "Diga-nos Mr.M, o povo quer saber... você é espada?". Que decadência...

Depois a Globo inventou outra, trouxe o padre (também dedo-duro) Quevedo anunciado no Fantástico por Cid novamente naquele tom chato e amedrontador que parecia dizer-nos subliminarmente: "crianças fiquem com medo!"

Locutor consagrado no Jornal Nacional por muitos anos ao lado de Sérgio Chapelin, hoje Cid não passa de um rascunho mal feito se for comparado ao seu passado. Se sua carreira continuar assim, não fiquem surpresos se encontrarem um dia desses o sr. Cid Moreira na Voluntários da Pátria (Porto Alegre -RS) ou na 25 de março (São Paulo) anunciando pelo microfone promoções numa loja de roupas baratas aos transeuntes. Detalhe, com microfonia.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Mais um seqüestro...


Fui seqüestrado. Tirado de minha mãe pouco depois de eu nascer. Tinha alguns dias de vida quando isso aconteceu e ela nada pôde fazer.

Fui trazido para uma casa onde estranhamente as pessoas que lá estavam ficaram felizes ao me ver. Até as crianças, ou principalmente elas, gostaram tanto de minha chegada que brigavam para escolher-me um nome.

Mas eu sabia que não pertencia àquela família.

Onde está minha mãe? Seu calor, seu amor?

Estava agora no meio de estranhos que faziam festa ao meu redor. Meu destino estava selado. Já haviam providenciado tudo, estava tudo combinado, somente eu não sabia de nada. Tinham as correntes, a cama, os colchões velhos, pote com água e até uma vasilha para a comida. Era definitivamente um prisioneiro.

Jamais fui tratado como gostaria ou como alguém da família, não havia nascido lá. Era um refém.

Com o tempo sentia-me cada vez mais excluído dentro de um lugar onde eu era “o último” em tudo. Todos tinham privilégios, menos eu.

Alimentam-me, me dão condições de sobrevivência e até gestos de carinho, mas nada ali tem a ver comigo.

Fiz de tudo para minimizar o sofrimento, inclusive aproximando-me e correspondendo aos sinais de afeto.

Sei, que em breve serei substituído por outro igual a mim. Estou envelhecendo. Eles agem assim, sempre foram assim. Virá outro “brinquedo vivo”, útil e sem direito a ter vontade própria. Será um novo seqüestro.

Espero que meus irmãos e irmãs tenham tido mais tempo do que eu com a nossa querida mãe, caso tenham sido seqüestrados também.

Nossa natureza não é a mesma dos humanos, somos assim. Somos da natureza e nela somos felizes.


Cães, gatos, pássaros, hamsters, coelhos, peixes, répteis e outros animais seqüestrados.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Minha morada...



Sempre que eu chegava na agencia onde trabalhava ia direto pros jornais ler as noticias e tentar me manter informado sobre o mundo. Noticias sobre o mundo, era o que procurava.

Minha atenção estava voltada para matérias sobre política e economia mundial. Era o que eu queria saber. Claro que lia também sobre a cidade, o estado e o país. Mas os movimentos políticos no mundo em primeiro lugar.

Acredito que outros colegas procurassem por notícias “mais locais”, inclusive uma colega que sempre reparava meu hábito depois de entregar-me o jornal.

Certo dia, ela não se conteve e me perguntou:


- Por que tu sempre te interessas pelas notícias internacionais? - Me indagou como se eu estivesse fazendo algo errado.

Respondi:

- Porque eu moro no “Planeta Terra”, ora. – Respondi como se estivesse fazendo algo certo.

Nos olhamos com "o olhar dos divergentes" e voltamos ao trabalho.

Estranho, depois daquele dia ela nunca mais perguntou nada sobre o que eu lia.

Também nunca mais comentou sobre as novidades das novelas da Globo ou fofocas sobre artistas...


segunda-feira, 24 de março de 2008

A brisa...


Pensava que gostava do vento
descobri que gosto mesmo é da brisa

É ela que me acaricia o rosto
e me faz carinho quando estou só

Faz-me sentir o odor da terra molhada
anunciando que vai chover
traz-me o odor do mato úmido

Dá-me o perfume da flor
e o cheiro doce do meu amor
veste-me de energia boa
sussurra frases em meu pensamento

Toca-me suavemente
enquanto aprofundo o olhar
na imensidão do mar

Faz-me abrir os braços pro céu
fechar os olhos e ver com a alma
faz brotar um sorriso grato
de alívio e calma

Deixo-a me tocar assim
respondo-a sempre que me chamar
pra dentro de mim
pra qualquer lugar




domingo, 23 de março de 2008

Cigarro - Mais uma...

Para fazer com que um ser humano comece a fumar, são gastos alguns milhões de dólares em pesadas campanhas publicitárias em diversos países do mundo, inclusive nos chamados “países de primeiro mundo”. Não foi em vão todo esse investimento, não é?

Agora pense: quantos milhões de dólares serão necessários para desfazer todo o estrago causado pelo uso do cigarro?

Parece que as campanhas que buscam segurar o impulso das futuras vítimas do vício têm sido bem inferiores do que as enormes verbas publicitárias da indústria do fumo. Essas campanhas poderão conscientizar alguns, mas o que dizer dos estragos maiores? as mortes? o sofrimento? a diminuição da qualidade de vida?

Já ouvi comentário sobre um senhor “ex-fumante” com mais de 60 anos que agora precisa usar uma cadeira de rodas pois não consegue mais ficar em pé. Se ele não tem força o suficiente para inspirar o ar (apenas para se levantar), imagine o resto.

Vi inúmeras vezes no trânsito pais fumantes dirigindo seus veículos e fumando enquanto seus filhos (alguns eram bebês!) inspiravam a fumaça do “cigarrinho amigo” do “adulto responsável” por eles. Tive o desprazer de ver um “pai zeloso” com o filho no colo e um cigarro na boca defumando o pequeno bebê na saída de um shopping, muito triste.

O frustrante para o fumante é não ter força suficiente para enfrentar um vicio tão poderoso. Fumantes são reféns do vício que os consome aos poucos, lentamente, célula por célula, tecido e mais tecido. Imagine uma vida acabando num conta-gotas. Morre-se um pouquinho a cada dia. Não deveria ser o contrário?

Quando eu era fumante, pensava que “o meu prazer” era mais importante do que “a minha saúde”. Mudei meu pensamento (a meu favor).

Se você for fumante, crie coragem e faça o seguinte:
Vá correndo procurar o primeiro espelho que encontrar. Olhe-se atentamente, descubra o quanto você se ama. Lembre-se das pessoas que você ama e que sabe que te amam muito, uma por uma, sem pressa. Namore-se um pouco (dê uma maliciosa piscadela pra si) e então pergunte-se:
“por que estou fazendo isso comigo?”

Se você fizer isso, pode estar dando um grande passo para voltar a viver com mais saúde e merecer o título de “ser racional”. Seu corpo vai agradecer e sua alma vai ganhar mais luz!

Não perca teu tempo nem tua vida.

AMA-TE.

Obrigado pela visita!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Guerra II - Pobres garotos(as)

pobres garotos(as)
que trocam seus sonhos
por fardas e armas

talvez nunca saberão
que a crueldade da guerra
destrói todos nós

rezemos por eles (as)
por quem mata

e quem morre
quem chora

e quem socorre

corpos cairão
mortes em vão

jovens enganados (as)
destinos traçados
por velhos, canalhas
terroristas insensíveis, tecnocratas terríveis
que inventam desculpas
e assistem distantes
o triste cenário das lutas

quarta-feira, 19 de março de 2008

Beijo no rosto: um, dois ou três?

Sabemos que um costume aqui no Sul é dar “três beijos” quando se cumprimenta. Invariavelmente são acompanhados daquela frasezinha manjada na seqüência: “três pra casar”.

O que acontece é que “o mundo está mudando” (será a globalização?) e logo percebi um movimento “anti-três-beijinhos” rolando...

Você já teve uma surpresa quando foi cumprimentar alguém e essa pessoa, logo após o seu primeiro beijinho (dos três) lhe agarrou com força puxando para um forte abraço na intenção de evitar a seqüência? Não?

Se você tem o hábito de dar três beijinhos, melhor se preparar.

Na minha “primeira vez” confesso que me assustei. Estava pronto para aplicar “o dois” (dos três) quando isso aconteceu. Quase beijei a orelha da criatura, jurando que era o rosto. Bom, daí em diante nem rola “o três”.

Essa tática funciona, pois constrange os indivíduos habituados ao “beijo tríplice”.

Em outros estados do Brasil não sei como é. Mas já comecei a me preparar para “o dois” (ou será somente um?). Xi...

Lembrei-me de um trabalho que fiz há alguns anos para uma ONG que defende os direitos das travestis. Era um vídeo institucional que levaria uns 40 dias de gravação e produção final.

Nesse período convivemos com as travestis diariamente. Conhecemos sua famílias, fomos nos locais de prostituição, conhecemos projetos de inclusão social, etc.

Veio um questionamento durante esse trabalho: e quando formos cumprimenta-las, beijamos ou não beijamos?

Lembro que refletimos sobre o preconceito e tudo o mais. Vieram afirmações do tipo “nossa masculinidade não será afetada” e “se elas se sentem femininas, tratemo-las assim!”.
Demorou, mas veio a decisão: beijamos.

Se fosse hoje, certamente viria uma segunda dúvida cruel: um, dois ou três?

Obrigado pela visita!

segunda-feira, 17 de março de 2008

O que falta na política?

Se fosse numa pesquisa, aposto que a maioria responderia: ética. Tenho impressão de que o que falta muito mais é a franqueza. Não só na política, mas para toda a humanidade.

Não costumamos assumir o que pensamos e muito menos o que fazemos.

Interessante. Quando vemos bandidos sendo presos em noticiários da televisão, eles dizem com franqueza os crimes que cometeram. Alguns são revoltantes quando descrevem seus atos quando interpelados pelos repórteres. Parece que os bandidos assumem seu papel. É óbvio que não são coitados, são criminosos! Mas parecem ser mais sinceros do que muitos políticos por ai.

Na política, há muitos subterfúgios que desfilam na nossa cara sempre que alguém é pego roubando ou envolvido em escândalos de corrupção. E ainda inventam “expressões novas”. Caixa 2, agora virou “recurso financeiro não contabilizado”.

Na política, parece que “tudo pode”. Fórmulas antigas em época de eleição viram “Novo jeito de governar”. E as promessas? São esquecidas (esquecidas?) em poucos dias após a posse.

Invadir um país com desculpas esfarrapadas e anda por cima atropelar a ONU, pode.

Lembrei do Severino Cavalcante, que se elegeu defendendo o aumento de salário dos deputados! Esse foi sincero, canalha, mas sincero. Escancarou, e por isso, todo mundo sabia o que estava por vir. Interessante é que “esses tipos” não caem por sua canalhice, e sim porque bateram de frente com alguém.

Bonito é quando prendem um “figurão” envolvido em algum escândalo, ele aparece logo com um atestado médico de saúde. Essa gente é muito escorregadia., e como adoecem fácil!

Sei que é pedir muito. Ser franco é muito difícil. Para alguns, impossível.

Mas imaginem, se os políticos fossem sinceros. A política mudaria, e ai sim seria transparente. Ah, a ética? Acho que viria de carona, de braços dados com a franqueza.

Sei que não são todos, há uma minoria com dignidade sim. Mas que a coisa já virou um bordel, virou... Tá na hora de virar esse jogo.

quinta-feira, 13 de março de 2008

O Cardeal...


Mais uma tarde de domingo, mais uma entrega de bolo decorado feito pela minha esposa. Costumava ajuda-la nas entregas. Era o motorista, dirigia com cuidado e avisava os tripulantes sobre as dificuldades do trajeto: “olha a curvaaaaa” ou “curva, curva”, até chegarmos ao nosso destino, seja clube, residência ou salão de festas.

Aquele domingo estava muito bonito, com um sol radiante e um calor agradável misturado a uma brisa formidável. Aqueles “domingos de ir ao parque”.

O sol refletia sua intensidade nas flores deixando-as como se tivessem lâmpadas acessas.
Sempre que pude, ao me deparar com a Natureza a contemplei. É como uma prece silenciosa de agradecimento pela vida.

Motorista fica no carro aguardando ordens e o final dos trabalhos, e assim fiquei. O bolo foi levado. Alguns bolos precisam ser decorados no local e por isso demoram um pouco mais. Foi nesse instante de contemplação que vi uma cena marcante em mim até hoje.

Estava dentro do carro, no estacionamento de um prédio residencial contemplando as flores e a vegetação (eram muito bem cuidadas). Então vi uma gaiola e nela um lindo passarinho “Cardeal”. O sol iluminava a gaiola, mas ele contemplava a Natureza de uma forma diferente da minha, numa prisão.

Fiquei estático na inútil tentativa de decifrar aquela cena. Nesse momento aparece um pequeno passarinho urbano “o Pardal”. Aproxima-se da gaiola, e sem o menor constrangimento pega o alimento do Cardeal.

Comeu, bateu asas e saiu voando por entre os prédios indo sei lá pra onde. Voar é sinônimo de liberdade.

A Natureza (ou Deus para alguns) deu “ASAS” para que certos animais VOEM. E o que o ser humano faz? COLOCA-OS EM JAULAS!.

Essa foi uma das cenas mais tristes que já vi. Ainda não entendi a razão de ter sido a testemunha disso. Talvez, para escrever isso hoje... e você, escolhido(a) para ler. Não sei. Mas jamais esquecerei daquele lindo Cardeal aprisionado num lindo dia de sol.

Obrigado pela visita!

BLOG - Entre nessa, faça logo o seu!

Ontem me ligou um amigo, o "D" perguntando sobre como fazer o seu Blog. Ele comentou que se sentiu motivado depois de visitar esse aqui. Bah, que honra. Dei umas dicas (isso prova que qualquer um pode fazer o seu), mesmo sendo um iniciante.

Tomei coragem e criei esse Blog no dia 29 de fevereiro. Recebi várias visitas e opiniões que reforçaram essa minha decisão.

Nunca tinha pensado em escrever publicamente, mas aconteceu.

Reencontrei amigos e amigas e já estou fazendo novas amizades! Vale a pena.

Agora, se você tinha alguma dúvida, não pense nem mais um minuto, faça.

Todos nós temos algo a dizer.

Obrigado pela visita!

Abraços,
Marius

terça-feira, 11 de março de 2008

Numa corrida de táxi...

No meio do trajeto e da conversa o taxista disse:
- Cara que eu detesto é esse Chavez (presidente da Venezuela).
- Por que? Perguntou o passageiro.
- Porque ele é um ditador, ora.
- Sabias que ele foi eleito pelo voto do povo? E que a cada dois anos na Venezuela eles votam novamente para dizer se querem que o presidente em exercício continue no mandato?
- Sim, mas ele fechou uma rede de televisão! (Retrucou o taxista).
- Ela não foi fechada. O que aconteceu foi a “não renovação da concessão”, feita após o término da concessão que estava em vigência, dentro da lei. E detalhe: a emissora continua existindo, porém a cabo, pelo sinal fechado.
- Ah é? Começou a se interessar... e mandou:
- Mas e o direito da livre expressão?
- Se uma rede de televisão se articula com outros setores da sociedade para cometer um golpe de estado, as coisas mudam. O direito de informar deve ser garantido, mas conspirar é bem diferente. Se fosse nos Estados Unidos, provavelmente os donos dessa emissora estariam presos e seriam punidos exemplarmente.
- Pois é, não tinha pensado nisso. Disse o motorista, meio constrangido.
- Amigo, se você aceitar apenas uma versão dos fatos, serás manipulado. Experimente assistir a uma entrevista dele (em qualquer veículo). Experimenta a internet. Tem vídeos lá. Ouça "o que ele diz” e compara com "o que dizem dele".

Logo chegaram ao destino. O passageiro paga a corrida e o taxista lhe agradece como se tivesse aprendido algo novo.

O passageiro sai, pára, volta e diz baixinho pela janela:

Amigo, eu também não gosto muito dele, mas detesto injustiças.

MODA

“A moda é uma forma interessante
das pessoas se diferenciarem das outras,
usando a mesma coisa que outras”.

Amores...

Eu tenho amores...
que vem e vão....
no meu pensamento.

Estão vivos, pois são momentos que tenho em mim.
Vivos e desafiadores da lógica do tempo!

Vibrantes e profundos,
suaves e doces,
misturas de mundos,
de sonhos,
de lutas...

que nascem e morrem...

mas nunca têm fim.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Sozinho, num bar...

Estou sozinho. Em minha mesa, apenas o copo de chopp me faz companhia. Acabo de sentar e o ruído, mistura de vozes e a música do ambiente, é de deixar tonto. Entre um gole e outro procuro visualizar dentro do local uma possibilidade melhor do que o simples copo de chopp. Mesas com casais, grupos de amigos ( falando alto ) e alguns solteiros como eu. No giro de 180 graus uma mesa me chama a atenção. Vejo uma mulher jovem, atraente e sozinha procurando algo em sua bolsa. Ela está tão envolvida em sua procura que parece não ligar para o ruído estridente que vai me deixando zonzo.

Procuro enxergar seu rosto, estou atento. Depois de sua insistência de quase um minuto, ela levanta a cabeça e dá um suspiro como quem está desapontada por não encontrar o que tanto procura. Mas nesse movimento, ela olha para os lados, e, ajeitando o cabelo, se depara comigo, com meu olhar. Trocamos olhares.

Além de ver o seu lindo rosto, vejo também um belo sorriso que eu mesmo inventei em seus lábios. Congelamos no tempo, vi sua alma, me apaixonei. Ela sorriu rapidamente, e na mesma velocidade voltou a procurar algo na bolsa. De repente, seus olhos brilham e sua expressão de satisfação demonstra que sua busca tinha acabado. Não resisti e estiquei-me pra ver melhor o que ela procurava. Ela pega uma carteira de cigarros e começa a abri-la lentamente, dessa vez olhando pra mim.
Coloca um enorme cigarro na boca com muita sensualidade e faz um sinal de que precisa fogo, simulando o uso de um isqueiro.

Bebi mais um gole, respirei fundo, peguei o meu copo de chopp e também um pouco de coragem. Levantei aproveitando o garçom que passava e pedi:

- Me arranja uma mesa na ala dos não fumantes?

sábado, 8 de março de 2008

Mulheres...

Que o mundo seja mais feminino,
mais inteiro!

A turma dos “músculos e pêlos”
não têm conduzido muito bem as coisas...

Falta equilíbrio, falta mulher!

Uma chuva de mulheres, de todas as cores e origens,
inundando a política, as empresas, os espaços estratégicos.
Urgente!

A sensibilidade é essencial para tomar decisões.
É bom pra humanidade!

Mulheres, por favor, venham.

Precisamos de muitas mais!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Frases

“Não tenho medo de altura. Tenho medo da queda”

“Os filhos nos ensinam mais do que aprendem conosco”

“O que nos diferencia dos outros animais é a hipocrisia”

“Eu luto pela PAZ”

“Ninguém é 100% coerente”

terça-feira, 4 de março de 2008

Vovô Ernesto

Vovô Ernesto sempre foi respeitado, não pelos seus oitenta e poucos anos, mas sim pela sua vasta experiência de vida. Viúvo, sua família era enorme, típica do interior, com muitos filhos, netos, bisnetos e, é claro, os agregados. Vovô Ernesto costumava ser consultado com freqüência pelos mais jovens, inclusive de outras famílias, sobre temas que exigissem a ótica de quem durante a vida já fez muitas cagadas, mas hoje é merecedor de respeito.

Quando jovem, Ernesto brigou, fugiu, apanhou, aventurou-se pelo país, comprou, vendeu, ganhou, perdeu, montou muitos negócios. Ah... suas estórias... eram o passatempo favorito dos bisnetos que o rodeavam sempre que podiam, mesmo que às vezes isto lhes custasse absorver um pum do velho, que não se constrangia pra liberar seus gases.

Nas estórias Vovô Ernesto era mocinho e bandido, herói e vilão, de acordo com a conveniência e os olhares dos pequeninos ávidos de emoção numa cidade onde não havia atrações como um cinema de bairro ou teatro. Festas, só as de casamento e religiosas, que eram inevitavelmente iguais e sem graça.

Ele contava as aventuras como se fossem ontem, saídas de uma imaginação privilegiada e bem costurada com o auxílio de suas memórias verdadeiras. Tudo era bem misturado, para não cansar os ouvintes que se emocionavam e vibravam com os detalhes. A encenação era “caprichada”, onde se sobrepunham a valentia e esperteza do velho que mentia sem ficar vermelho.

Contava estórias de seus romances, antes do casamento é claro, dos sustos que levava e principalmente dos que “aplicava”. Nos momentos com ele a diversão era garantida, e o melhor: grátis.

Além de contar estórias, ele tinha uma brincadeira preferida que aplicava na família: fingir de morto. Em suas sestas, no sofá da sala, percebendo a aproximação de alguém, se mantinha imóvel, durito, e logo prendia a respiração, sem responder aos apelos aflitos de netos, filhos e afins. Durante minutos ele ficava imóvel, se divertindo com o desespero do pessoal.

Mesmo com as inúmeras vezes em que Vovô Ernesto já brincou de morto, a turma de casa “sempre cai” e nunca deixa de conferir se o velho estava mesmo morto, pra descargo de consciência.

Anos se passaram e o Vovô Ernesto se foi... deixando saudades, estórias e fãs.

Deixou mais:deixou sua marca.

A marca da alegria de um homem que viveu sem se dar conta de que a sua vida, ou, o seu jeito de viver, contagiou a todos, até os que nunca o conheceram.

MARIUS QUIRÓZ - 2000

domingo, 2 de março de 2008

Guerra

Guerra ingrata
Fere, mata
Muda a cor do céu
Transforma prédios em papel

Não respeita a vida
Nem escolhe o alvo
Discrimina todos
Ninguém está a salvo

Separa famílias
Desperta monstros
Destrói cimento, ferro e vidas
Dá banho de sangue

Deforma corpos
Humilha gente
Confunde a mente
Provoca dor
Não há vencedor

Marius

A idade vem chegando...

No dia do seu aniversário, entre uma correria e outra, deixou a esposa e o filho em frente ao supermercado, do outro lado da rua onde estacionou o carro para que ela fosse numa loja, enquanto ia fazer umas comprinhas rápidas.

Fechando o carro, ouviu uma voz: "Tio, tá bem cuidado!". Olhou pro rapaz que falou e percebeu que era um jovem de uns 20 anos de idade, sentado na calçada displicentemente num lindo dia de sol. O rapaz sorri, para ganhar confiança. Já ele, olhou com uma expressão séria e foi ao super.

Entrou com aquela frase na cabeça: "Tio, ta bem cuidado...". Começou a ficar indignado. O dia estava lindo, lindo mesmo, e ele não podia curtir nenhum um minuto pois estava numa correria danada.
Trabalho, trabalho, trabalho.
Apesar de amar sua profissão, sabia que com essa loucura do dia-a-dia há o risco de virarmos máquinas!
Pensou: quando eu voltar esse cara vai ter que ouvir. Imaginou um belo discurso.

"Você sabe que horas fui dormir ontem?! Sabe?!"
e mais: "Tu sabes que eu sustento uma familia, dou duro e não consigo estar sentado nessa calçada por que não tenho tempo?!"
continuou pensando: "Levanta essa bunda do chão e vai trabalhar!" "Seu vagabundo" "Eu não vou te dar dinheiro algum, isso é um absurdo!" "Vai criar vergonha nessa cara!" e por fim: "Esse carro nem é meu!" (era verdade!).

Alguns minutos dentro do supermercado foram suficientes para ele se acalmar e nada disso aconteceu.

Quando a esposa voltou, contou pra ela sobre o ocorrido e da idéia que teve sobre dar um puta discurso na rua, etc... ela só o olhava, calmamente.

Em um "quase discurso" insistiu no desrespeito daquele cara sentado na calçada pedindo dinheiro em plena vagabundagem, e ela ali, olhando, calmamente...até que ele não resistiu e teve que perguntar:
- acha que estou ficando velho?

Ela, com a tranqüilidade que lhe é peculiar respondeu:
- sim.

Cai a chuva...


Cai a chuva...
Depressa eu vou, correndo até a janela
O céu cinzento anuncia o espetáculo
confirmado pelos estrondos que assustam a todos
Lá fora, ela cai forte molhando almas e criaturas
Cortando o ar, a água cai batendo forte nas calçadas
E eu sorrindo pedia mais; e mais chuva vinha...
Roupas colando, olhos atentos, passos longos e estranhos
O vidro embaçado faz a manga da camisa virar
uma borracha de apagar!
Abre-se a porta acompanhada do vento frio e todos olham
Mais um ou dois ensopados!
O cobrador grita para o motorista:
- Pode ir!
Eu volto a sorrir e a pedir mais, mais chuva!

sábado, 1 de março de 2008

Memória de um ex-fumante










Como pude ser tão frágil e insensível comigo?

Se soubesse que a cada cigarro acendido e sorvido um pouco de mim lentamente se apagava, talvez tivesse pressentido o mal que me acompanhava.

Os componentes químicos que minha corrente sanguínea absorveu e distribuiu por todo o meu corpo, foram como ofensas malditas à existência da vida e da minha suposta inteligência.

“Fumar faz mal” diziam-me alguns, e entre eles, alguns que me amavam, verdadeiramente.

Ao contrário do que cheguei a pensar, o cigarro não foi um companheiro nos momentos de solidão, mas sim um algoz terrível me contaminando com um suave e derradeiro veneno diário.

Quando comecei a fumar, comecei também o meu luto. Comecei a contar o tempo de minha vida ao contrário, na ampulheta da desgraça, movida pela insensatez. Comecei ali, a caminhada contra a minha saúde, o meu sucesso e minha paz.

Os apelos para deixar o vicio, foram tão frágeis quanto as razões para eu continuar fumando.

Não houve luta nem resistência, somente a passividade da falta de consciência.

No final, venceu o mais forte; e não fui eu, foi a morte.

 
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