Já faz alguns anos.
Estava em frente à casa de um conhecido quando um amigo “das antigas” apareceu.
Era o “G”, baita amigão.
Perguntei:
- E ai rapaz, que estás fazendo?
- Nada, matando um tempo pra ir na casa da minha tia. É aqui perto.
Estávamos perto de um cemitério. Era logo ali, só subir a rua.
Percebi que também tinha tempo de sobra em minha agenda pessoal e sugeri ao amigo que fôssemos dar uma passada no cemitério para dar uma visita ao túmulo do pai de um grande amigo nosso.
- Beleza. Vamos nessa. Respondeu.
Era um dia da semana e acho que por essa razão o cemitério estava vazio. Devia ser umas 17hs.
Enquanto subíamos as escadas do cemitério, "G", que estava logo atrás, falou:
- Não, muito obrigado!
Não entendi por que ele havia dito aquilo. Em todos os andares que passamos, observei que não havia “uma viva alma”. Medroso que sou, fiz questão de observar isso.
Olhei pra trás, e ele bem sério subindo as escadas. Putz, fiquei com aquele troço na cabeça me incomodando. Fomos até o túmulo, fiz um pensamento em nome da pessoa querida e rapidamente saímos.
Íamos descendo a escadaria, e eu olhava pra todos os lados. Não havia ninguém no cemitério além da gente.
Esperei descermos todos os andares e sairmos do prédio. Daí perguntei:
- Com quem tu falaste na subida? Vi que agradeceste alguém.
Ele diz:
- Para a florista, ora! Não viste que ela nos ofereceu flores?
Eu disse:
- Ah, tá! (como dizendo: claro!)
Fiquei frio, aliás, estava congelado.
De repente ele me diz:
- O Cara, sabe aquele cemitério ali ao lado? (apontando com o dedo). Vamos dar uma ida ali, visitar o túmulo de minha avó?
Respondi imediatamente:
- Amigão, não vai dar...lembrei de um compromisso. Preciso ir, valeu!
Levei uns 3 anos pra comentar com ele sobre o que aconteceu.
Ele apenas disse que não lembra de nada.




