domingo, 15 de junho de 2008

Mais que um almoço...

Finalmente chegou o dono da vaga de Superintendente Geral. A ansiedade era visível nos mais variados ambientes, e sempre se ouvia comentários e especulações a respeito de quem seria o novo e mais importante funcionário da fábrica. Aquela empresa familiar começava a crescer de forma meteórica, porém, seus próprios donos percebiam a falta de uma liderança capaz de administrar os novos momentos que viriam a seguir. Carlos, um executivo que havia trabalhado em algumas grandes empresas teve essa missão.

E no primeiro dia de trabalho, Carlos pediu a sua secretaria que fosse ao depto. de RH e lhe trouxesse o nome do funcionário que tivesse o menor salário da empresa. Percebendo a solicitação, um diretor questionou sobre a decisão preocupado com a situação. Carlos, apenas disse: fique tranqüilo.

Assim que obteve o nome do funcionário, Carlos pediu a sua secretaria que o avisasse que iria almoçar com ele no refeitório. Nervosa, ela imediatamente providenciou o encontro.

O funcionário era o Anacleto, tinha 30 anos e lhe faltava um par de dentes e também instrução formal. Tinha família, filhos e um olhar submisso, sua tarefa era a limpeza de ambientes do escritório e algumas salas da fábrica. A limpeza grossa era feita por equipes em turnos diferenciados.

Dito e feito, lá estavam os dois dividindo a mesma mesa no refeitório que abrigava umas 300 pessoas. Todo mundo notou e comentou sobre o que via.
Numa mesa lá no fundo, os dois conversavam como se fossem amigos, depois de quebrarem o gelo. Carlos tirou a gravata para deixar Anacleto menos constrangido e ali ficaram conversando até que o ultimo funcionário se retirasse.

Uns diziam que viram até sorrisos na conversa dos dois durante a refeição.

Carlos queria saber o que pensava o funcionário mais humilde na base hierárquica dessa empresa. Quais seriam seus sonhos? Suas expectativas? Sua visão daquele ambiente? Seu modo de ver a vida?

Depois de 22 anos de serviço, Carlos se afastou da empresa por motivos pessoais. Dizem que ele foi o responsável pelos novos avanços que garantiram o sucesso que a fabrica desfrutava, tornando-se uma respeitada multinacional. .

Contam que até choro foi visto em sua despedida da fábrica.

E que entre os mais emocionados estava Anacleto, alto funcionário, e o principal diretor cotado para a vaga que Carlos deixou.

1 comentários:

Carla Beatriz disse...

Oi Marius,

Tem um presente para ti lá no Vai, Carla! Ser Gauche na Vida!

Vai lá conferir! ;-)

Beijos

 
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