De repente, me posiciono fora da piscina para dar mais um salto direto de um pequeno espaço onde a turma subia rente a parede. Escorreguei tão rápido que nem vi como aconteceu. E nesse escorregão, cai para dentro da piscina.
Com a intensidade da dor, levantei a perna para verificar se havia algum corte.
Quando olhei, fiquei apavorado. Da água emergiu minha perna com um enorme corte em minha canela, daqueles de revirar o estômago. Cabiam uns quatro dedos da minha mão dentro do buraco que acabara de se abrir. Chamei o dono da casa, que passava por perto e mostrei para ele o corte. Ele arregalou os olhos e me disse que iria avisar a sua mãe. Saiu em disparada e eu, fiquei dentro da piscina esperando.
Toda a turma começou a se aproximar de mim (que a essa altura já estava fora da água), e ao olharem para o corte faziam expressões que me desanimavam. Eu, preferi não olhar mais.
Vamos ao Pronto Socorro! E pronto, lá íamos nós direto para o Hospital dentro do fusca incrementado do cunhado do dono da casa. Para estancar o sangue levava uma toalha enrolada na canela.
Sempre me gabava de nunca ter levado nenhum ponto de sutura e nem quebrado nenhum osso do corpo. Aquele dia não tinha como fugir, era certo que iriam me costurar.
O interessante foi no atendimento médico. Estava todo molhado, de bermuda e com muito medo. Ao meu lado, na sala de suturas, um menino de uns 8 anos gritava como se estivessem lhe arrancando a pele. Impossível ficar calmo quando se tem medo de agulhas como eu tinha naquela época.
A enfermeira, uma senhora de uns 50 anos, percebendo meu nervosismo aproximou-se. Chegou ao meu lado e disse:
- Teu nome é Marius, isso? – como se suspeitasse de algo.
E eu, que estava muito nervoso comecei a ficar curioso.
- Sim, é meu nome. Por que?
- Você não é amigo da Luciana que estuda no colégio Protásio Alves? Ela é minha filha, e me falou de um amigo que se chamava Marius. Deve ser você. Ela é morena, baixinha...
Nisso o médico chegou e foi me aplicando a anestesia, que doeu muito, mas não o suficiente para eu deixar de tentar lembrar de “alguma Luciana do colégio Protásio Alves”. Pensei, pensei e nada. A enfermeira me olhou carinhosamente e disse com um sorriso: - Já está quase acabando. Só mais um pouco. O tempo passou sem eu perceber!
Passaram-se mais uns minutos e eu já estava com a minha família saindo do prédio do Hospital em direção à minha casa.
A experiência com aquela enfermeira me surpreendeu. Ela conseguiu tão facilmente desviar minha atenção da dor e do medo. Foi um ato de amor.
Creio que somente as pessoas que amam o que fazem e amam as outras pessoas é que conseguem fazer o que ela fez.
Mas confesso que fiquei alguns meses, pensando se existia mesmo essa tal de Luciana...rsrsrrsrs.
Obrigado, enfermeira anônima!
7 comentários:
Que experiência! deve ter levado o maior susto mesmo!!!!
Amigo quanto a política tenho recebido inúmeras críticas com minhas postagens, estou dando um tempo reciclar faz bem, mas voltarei sim, voltarei, obrigada pelo "conforto" que sem querer me deste, me senti menos solitária nessa luta, bjks
Oi Marius,
Sim, foi uma tática da enfermeira para desviar tua atenção da dor e do ferimento, para que você ficasse calmo.
Nunca sofri nenhum acidente (graças a Deus), mas já me operei da vesícula no HPS. Apesar das instalações precárias, tive um excelente atendimento.
Beijos
Consegui imaginar a cena direitinho...
E eu acredito muito nessas pessoas que surgem do nada, acho que são os nossos anjinhos, sabe?
Beijoo*
Também me veio à cabeça a idéia de "Anjos", pessoas do bem que nos ajudam de alguma forma.
Admiro muito as profissões de enfermagem e psicologia. Sei que existem inúmeras outras profissões de muita dedicação e amor, mas certeamente essas duas são da linha de frente.
Obrigado pelas visitas!
Imagino o quão grande tenha sido o susto. E só no amor é que conseguimos fazer coisas como esta.
Fico feliz de existirem 'enfermeiras anônimas' por aí. :D
Beijocas
www.lizziepohlmann.com
Parabéns para aquela enfermeira-anjo e para você, pela bela crônica.
Comunicação é isso: simples, direto, objetivo.
Eu no seu lugar estaria dando crises de riso! Quando fico nervosa, começo a rir! E quando descobrir quem é Luciana, me conte! Fiquei curiosa também! Beijos!
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